Matheus Souza


Hoje estou aqui em meu devido lugar (meu trabalho) ás 10:30, sozinha… Que maneira mais vantajosa de passar ás férias não?!

Pois é… Bom estava eu mais uma vez lendo uma de minhas revistas preferidas BRAVO!  E uma matéria, de Domingos Oliveira, um tanto quanto “jovem” me chamou muito a atenção. Matheus Souza um jovem cineasta de 20 anos, minha idadeque realiza sua brilhante carreira vem crescendo aos olhos da mídia.” O menino acabou ganhando o festival na votação popular. Também em outubro, faturou um dos prêmios do público na 32ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Merecido.”

È fantástico saber que apesar dos pesares ainda existem jovens criando regras e recriando uma nova realidade. A Arte ainda é o ponto de vazão, a válvula de escape… a criação faz parte dessa onda da nova geração e é por ela que as conquistas se estabelecerão.

 CONFIRAM A MATÉRIA ABAIXO….

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Revista BRAVO! | Dezembro/2008

Nossa Aposta – Matheus Souza

Ele tem apenas 20 anos e provou, já no longa de estréia, que sabe filmar como poucos. Talvez seja meu filho bastardo

Por Domingos Oliveira

Meu distribuidor me telefona em outubro, uma semana antes de o Festival do Rio acabar, transmitindo o interesse de um jornal em dar uma entrevista conjunta. Eu e Matheus Souza, um menino de 20 anos, nascido em Brasília e estudante de cinema na PUC carioca, que o jornal afirmava filmar igualzinho a mim. Desconversei. Não quis dar a entrevista botando fogo nesse modismo ridículo de opor veteranos a principiantes.
Porém, fui rente feito pão quente para o cinema Odeon assistir a Apenas o Fim, primeiro filme do “Dominguinhos”, que ia passar no festival. Quase não consegui entrar, de tão cheio que estava. Acabei no segundo andar do cinema e, de repente, me descobri envolvido por uma sala lotada de jovens animados e lindos… Como não tenho medo de juventudes, comecei a ver o longa com boa vontade. Era incrível. O cara de fato filmava igualzinho a mim! Usava o mesmo tipo de linguagem baseada em Truffaut e Godard, mesmos planos, mesmos movimentos e enquadramentos, lentes! E, muito mais que isso, o menino não ultrapassava os limites da sua própria vivência. Falava apenas do que entendia. De modo divertido, poético e até profundo. Sua câmera não é racional. Ela é intuitiva. E, por isso, o filme fluía. Comecei a ficar exaltadíssimo. A ponta de inveja anterior foi dando lugar à emoção que o filme me causava.É o seguinte: uma moça chega na primeira seqüência para acabar um namoro. Namorado e namorada caminham e sentam pelos jardins da PUC discutindo o indiscutível. Sim, porque eles se amam! A tela revela isso! Não há o menor motivo para eles se separarem! A não ser o fato de serem jovens e, por isso, terem de sofrer de amor. Uma estrutura muito semelhante ao excelente Antes do Amanhecer, de Richard Linklater. Durante a conversa, encontram um colega, depois um grupo de colegas, não acontece muita coisa. No melhor momento do filme, eles vão fazer xixi, cada um no seu banheiro. E lá dentro choram. Depois saem sorridentes e irônicos, como sempre, e seguem conversando. Sobre nada, sobre tudo. Em palavras que, às vezes, a gente não entende, por estar por fora dos videogames e outros códigos da juventude.

 Quando a namorada vai embora, deixando a câmera e o namorado dentro dos portões da PUC, chorei. Então, fui entusiasmado cumprimentar o diretor no hall. Era uma figura estranhíssima. Todo coberto de casacos e barbas e bigodes, mais baixo que eu e revelando, por trás do “disfarce”, os olhos inteligentes e sensíveis. Também nesse caso, ele age como eu. Qualquer situação perigosa, boto logo um terno e gravata e, se possível, cachecol. Matheus apertou a minha mão com a sua fria e gaguejava de nervoso, falando baixo. Senti imediatamente que para ele eu era um mito.

O menino acabou ganhando o festival na votação popular. Também em outubro, faturou um dos prêmios do público na 32ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Merecido. Matheus sabe filmar. Nasceu sabendo. Não parece que ele saiba muita coisa mais. Perguntei ao redor quem era a sua mãe na suspeita de que poderia ser um filho bastardo meu. Mas é só uma brincadeira. Ficamos amigos. Baseado na minha experiência no assunto, Matheus é como o cinema digital. Veio para ficar. Ele é um general do exército dos filhos do futuro. 

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