Revista BRAVO! | Janeiro/2009

Clássico do Mês – Led Zeppelin

Há 40 anos, Robert Plant, Jimmy Page & Cia. abriram espaço para a ascensão do rock pesado

Por Carlos Messias

 

No dia 12 de janeiro de 1969, os ingleses do Led Zeppelin estreavam em disco. O álbum, batizado apenas com o nome da banda, acabou conhecido como Led Zeppelin I, já que os três LPs seguintes do quarteto se chamaram II, III e IV. O lançamento marcou não só a eclosão de um dos grupos mais importantes da música pop como o pontapé inicial para uma nova era do rock. Segundo inúmeros críticos e historiadores, Led Zeppelin I é o primeiro disco de heavy metal da história.

Hoje talvez fique difícil rotulá-lo somente como um álbum de “metal”, uma vez que também dialoga com o blues. Mesmo assim, não há dúvidas de que os principais ingredientes de um tipo de rock especialmente pesado estavam lá. Na verdade, Led Zeppelin I se revelou o exemplo mais bem-acabado de uma tendência que já se insinuava ao longo dos anos 60. Entre 1964 e 1967, os Estados Unidos assistiram à invasão britânica. O movimento, caracterizado pelo ingresso de artistas da Grã-Bretanha nas paradas norte-americanas, consolidou a ascensão do rock como fenômeno pop, com grupos como Beatles, Rolling Stones e Yardbirds, projeto anterior de Jimmy Page, um dos líderes do Led Zeppelin.

Alguns integrantes dessa leva britânica usavam muita distorção em suas guitarras, o que resultava em performances bem barulhentas. Era o caso do Animals, The Kinks e The Who. Tal espírito irrequieto já havia se manifestado um pouco antes em bandas dos Estados Unidos, como The Sonics, representantes do chamado “rock de garagem”. Mas quem converteu essa energia crua num som mais impactante e elaborado, que abriria os ouvidos do público médio para a “pauleira”, foi mesmo o Led Zeppelin.

Em outubro de 1968, Robert Plant, Jimmy Page, John Bonham e John Paul Jones entraram no Olympic Studios, em Londres, com a intenção de conduzir o rock da época a um outro patamar de sofisticação e intensidade. Assim, a guitarra de Page passou a gravitar entre a levada do blues e os intensos power chords (acordes típicos do rock pesado). Os vocais de Robert Plant se mostraram densos e agudos, às vezes dramáticos. John Bonham castigava a bateria com dinamismo. E as linhas do baixo de John Paul Jones penderam para tons mais graves que os de costume.

Resultado: várias das nove faixas de Led Zeppelin I acabaram influenciando o som de grupos que se tornaram ícones do heavy metal. Em Dazed and Confused, por exemplo, Page e seus parceiros criaram uma atmosfera mórbida e lisérgica semelhante à que marcaria a trajetória do Black Sabbath (a composição é pontuada por um riff de guitarra quase idêntico ao de Paranoid, hino da banda metaleira, gravado em 1970). A estrutura de How Many More Times — em que a bateria, com notas espaçadas, abre espaço para o imponente fraseado da guitarra — iria inspirar o Deep Purple na música Black Night, também de 1970. E um trecho da terceira faixa, aquele em que Plant canta “You shook me all night long“, serviria de título para um dos principais hits do AC/DC.

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