Cultura!


Bom Dia meus caros…

Ontem o Estadão publicou no Caderno 2 uma bela reportagem a respeito do Museu Memória do Bexiga, contando um pouco da história do bairro, a origem do nome e a reabertura do museu.

Temos que estar por dentro da história da nossa cidade: isso é cultura. Pequenas oportunidades que surgem de entender um pouco mais da história do nosso país e da nossa formação social, devem ser muito bem aproveitadas.

Acredito que esta é uma ótima dica para o final de semana…

Confira a Reportagem!

Giovanna Sapienza

O Estado de São Paulo – 18/03/2010

Por Edison Veiga

“Domingo nóis fumo num samba no Bixiga/ Na Rua Major, na casa do Nicola./ À mezza notte o”clock saiu uma baita duma briga/ Era só pizza que avoava, junto com as brajola”. O falar italianado, típico dos primeiros moradores do bairro do Bexiga, foi eternizado sobretudo nas canções de Adoniran Barbosa (1910-1982). Já o restante da memória da região está bem-guardado em um sobrado de sete cômodos na Rua dos Ingleses: o Museu do Bixiga, que, depois de cinco anos fechado por problemas administrativos, reabre suas portas ao público hoje.

A diretoria da instituição, inaugurada em 1981 e considerada o mais antigo memorial de bairro paulistano, traça planos ousados para movimentar o espaço: quer restaurar o imóvel, digitalizar o acervo fotográfico e passar a oferecer cursos. “Esperamos conseguir patrocinadores para esses projetos”, diz o presidente do museu, Paulo Santiago.

Entre os 1,5 mil itens do acervo, há o kit completo de um “bexiguense” soldado revolucionário de 1932 – espingarda e capacete -, uma cadeira de dentista dos anos 20, carrinhos de rolimã, uma geladeira quase centenária, um televisor e itens pessoais de Adoniran Barbosa – gravata, chapéu, cachecol e isqueiro.

“É comum que produtoras de TV nos procurem, para utilizar esses objetos em séries e novelas de época”, conta Santiago. Outro tesouro é o material iconográfico: são 8 mil fotografias, que ajudam a reconstituir a história do bairro paulistano.

Culinária italiana

Como parte desse movimento de revitalização do museu, ocorre no dia 29, na Cantina Roperto (Rua 13 de Maio, 634), um jantar especial, com convites a R$ 100 (adesões pelos telefones 3253-9338 ou 2894-5782). Na ocasião, será criada a Associação Amigos do Museu Memória do Bixiga.

Até abril do ano que vem, para as comemorações do 30º ano de fundação do museu, Santiago espera estar com uma cantina-escola funcionando, nos fundos do sobrado. “Será um espaço aberto aos apreciadores da cozinha italiana, como qualquer restaurante”, diz. “Com a diferença de que estaremos formando mão de obra qualificada para atuar em outras casas do bairro.” Também está prevista a criação de uma lojinha de souvenirs alusivos à imigração italiana.

Tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), pouco se sabe do imóvel que abriga o museu. “Algumas versões dizem que familiares de Getúlio Vargas moraram aqui”, comenta Santiago. “O que sabemos é que, antes de virar museu, ficou abandonado por cerca de 30 anos.”

Um pouco de História…

Em 23 de junho de 1878, um anúncio de primeira página deste mesmo Estado – quando ainda se chamava Província de São Paulo – deu a largada à formação do bairro. “Vendo por propostas todos as matas dos terrenos do Bexiga”, dizia o texto. Como a capital recebia grandes levas de imigrantes italianos, os que não topavam a aventura dos cafezais do interior foram seduzidos pelos preços baixos das terras e se mudaram para lá.

Muito antes das cantinas que deram fama ao bairro, esses imigrantes, na maioria da região italiana da Calábria, acabaram se tornando importante mão de obra especializada: sapateiros, quitandeiros, padeiros, artesãos, alfaiates…

Mas a ocupação humana nessas glebas vem de períodos ainda mais antigos. O primeiro registro data de 1559: ali era o Sítio do Capão, do português Antônio Pinto. Depois, acabou rebatizado para Chácara das Jabuticabeiras, em alusão à abundância dessa árvore frutífera.

Na década de 20 do século 18, as terras passaram a um outro proprietário, conhecido como Antônio Bexiga – ele levava a alcunha porque tinha cicatrizes de varíola, doença popularmente conhecida como “bexiga”. A terra “do Bexiga” acabou virando Bexiga.

O NOME DO BAIRRO – Bexiga, Bixiga ou Bela Vista?
Versões diferentes, uma mesma região

A região do Bexiga tem esse nome porque no século 18 aquelas terras pertenciam a Antônio Bexiga – um senhor que ganhou o apelido depois de ser acometido pela varíola. A grafia Bixiga, defendida por alguns memorialistas e moradores das redondezas, seria uma adaptação do termo ao jeito coloquial de falar, trocando o “e” pelo “i”. O Bexiga é a região compreendida entre a Rua Rui Barbosa, Avenida 9 de Julho e Rua dos Franceses. Pertence ao bairro chamado oficialmente de Bela Vista.

Onde fica?

 
MUSEU MEMÓRIA DO BIXIGA.

RUA DOS INGLESES, 118, BELA VISTA, SÃO PAULO.

INFORMAÇÕES PELO TELEFONE (11) 3262-3156.

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: DE TERÇA A SEXTA-FEIRA, DAS 14H ÀS 18H.

GRÁTIS

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